orvalho-do-amanhecer-na-grama-64779956Entrando em constelações, percebo o quão pequeno e insuficiente sou…
Ando pelas vias noturnas, pulo galáxias e não encontro o chão, mesmo que precise de uma base para o impulso. A vida tem as mesmas proporções, mas em situações reais e de toques…
Quando os olhos se fecham, existem escuros ópticos que deslizam pela imaginação sem parada ou fim. de tanto ir e nunca seguir, uma hora se cansa e se deslumbra com olhares a esmo.
Eu olho, olhar e dizer que não vejo é apenas um paradigma poético, de um eu lírico para definir os negativos que não se quer enxergar. Inúmeras páginas querem te iludir com o paraíso onde os animais se amam e os homens são mansos, sem distinção… mas por todas entrelinhas, existe um sentimento que padece a cada dígito ou lágrimas, que possuem a mesma validade. O teclar não toca o céu dos pingos da chuva, o sentimento se não sentido voa e não chega onde deve pousar, os pássaros que assoviam nas manhãs não trariam alegria aos pulmões se as raízes não suspirassem vida…
Todo dia é dia. Todos os dias, podem ser os dias.
Milagres são simples, como aquele oi que envergonha-se de dar, como o sinto sua falta que não abraça quem deve abraçar, como o brilho no olhar que não se sente com medo de errar… Privar-se é definir a todo instante níveis de instrospeção. O embaçar dos olhos é o grito que o peito não suporta.
Rosto à água e sabão, olhares profundos no reflexo, um eu que às vezes sofre, sem ter quem possa ouví-lo; quando na verdade não ter ouvintes é o alivio que o inconsciente diz estar certo. Deixar-se ir…
Ninguém quer ir sozinho, ninguém quer sair só. Olhar ao seu redor, e não ser visto: vazios imensos.

 

 

Robson Neves.

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