Por várias vezes na mesma noite, abri e fechei janelas. Nessa mesma noite, me virei em dias claros, vácuos nebulosos, pensamentos longínquos e no meu oceano particular sua memória.

Eu lírico, olhos fechados, pele fria, arrepios, coração quente. Meiga lembrança fulgurante na pele rosácea, que floresce nos campos arteriais, que formam o corpo cheio de sentimento. Já não sei se figura o primeiro amor ou se apenas estampa um passado, que brilha, que grita, que pede. Já me sento nos balanços de madeira e palha, converso com minha amiga, que me acompanha há tantos mil dias e não me permite acreditar num único sonho. Não sei o que é sonhar, faz dias que sinto a falta nas mais obscuras realizações onde te toco, mas não te sinto, te vejo mas não sei qual seu sabor…

Sabores inúmeros, lábios doces, carnudos, que atravessam o meu prazer e me invadem loucamente sem pedir permissão. Olho no fundo do seu negro mar, nado nas suas pardas cores; mais abaixo as imas batidas que duplicam quando me toco em você e você se toca em mim. Laços entre dedos, calor entre corpos, tesão que se expande em grandes escalas… Aaaaah o amor.

Eu já não sei mais lembrar, já me perdi nas ondas. Faz meses que não ouço o tom inebriante dos teus agudos. Tentei te esquecer, não deu. Não deu pra deixar de te amar, não deu… Percebo que as cinzas se desmancham quando minhas lágrimas caem no seu percurso, como grãos do campo retirados da beleza do seu caule. E ainda sim prefiro cinzas, porque com elas posso desmanchar e reescrever com o pó que resta do que sinto, que deve ser saudade; eu já não sei mais. Eu quero chorar.

Eu quero chorar saudade, eu quero chorar a vontade de te olhar, eu quero chorar mais ainda. Eu quero chorar porque um pedaço de mim está longe, ou será que apenas estou sonhando essa distância? Não sei se estou agindo certo. Não sei devo esquecer, já que cada história tem seu momento em nossas vidas. Por que vida, tão cruel com o amor que me faz sentir? Já pedi a Deus que me fizesse esquecer, mas como vento, aparece nos meus olhos e se protege no coração. Tento chegar, mas meu medo é maior. Seu nome não me sai da cabeça, seu corpo não me sai da pele. Choro cada letra, porque duvido. Choro porque sinto falta, mas não sei se choro porque amo. Encontro-me com a lastima do tempo, que vira o temporal, não me recordo de chorar por amor… Acho que é a primeira vez. São tantas lembranças na mente… Precisei de uma noite pra me apaixonar e não sei se posso ‘ nunca mais te esquecer’. Não gosto da história do dizem que; gosto do amor, sentir borbulhas, quero que as ventanias espalhem o eu te amo enquanto existir amor, pelos oceanos. Quero chorar. Penso em você e penso em mim. Não sei se devo pensar em nós.

Entre mil e umas letras, em segundos auditivos, eu te quero não querendo. Não quero sentir dor, não quero chorar mesmo chorando. Sorrisos. Aquela pele, aquele calor, aquele prazer, não pude te tocar, porque ia devorar sem pensar. No meio de tantos outros olhos, eu queria te fazer meu apenas pra te amar…

E por mais uma vez, borrei a linhagem das cinzas que desenham o que eu não sei dizer.

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