Faz sois e luas que não mais sinto calor por te tocar. Faz dias e noites, ventos e brisas, chuvas e trovões, horas e minutos que estou em saudade.

Sinto-me confuso, gostando por gostar, mas subentendendo que a mente pode ou não enganar. Oh dores constantes de amor, ou paixão? Foi tão bom te amar, nos escuros do parque, debaixo das árvores, em cima das folhas secas, esquivando-nos de repentes clarões guiados por andarilhos, que sem caminho, vão à busca de um prazer e se curvam entre troncos, galhos e arbustos. Em todas as palavras que tento escrever, em tantas vezes apontando as cinzas e quebrando todos os inícios, não sei não relembrar…

Quando te olhava, te sentia em mim. Quando te tocava, te sentia por dentro: Uma explosão de prazer em muitas conjunturas. Naquele instante percebi que a mágica floresceu; vi um sorriso acanhado, uma vontade louca, um desejo imenso… Aaaah como é bom. Vivi loucamente aquele olhar, um paradoxo hormonal que nunca em noventa mil dias senti… É algo louco de se pensar. Olho-te todos os dias, pelas sombras que meu coração registrou; sinto seu corpo a cada página virada, que o dia e as horas separam. Vejo-te tão perto, te espero tão longe, na expectativa de encontrar folhas secas que me levem a você. Um caminho deserto, sem destino, sem respostas, um horizonte, um ponto final, tantas entre linhas, um eterno vácuo no espaço entre nós, tantas palavras e toda falta de coragem.

Nos escuros sonhos, a claridade da imaginação, se traduz nos tons da sua voz. Não sei se é paixão ou loucura. Não sei se é saudade ou loucura. Não sei se é amor ou loucura. Sonhar com tanta saudade e não viver um beijo, acordar com contínua saudade e não poder fazer nada. Acordar com saudade, olhar para os lados e me sentir no meio do oceano, sem começo, sem fim, a onde não posso ancorar… Por quantos dias mais você viverá nos meus pensamentos? Quando sonhei com a liberdade de amar a vida, amar o amor, amar, você retorna e me faz quere-te por mais. Olho para meus dias e percebo que nunca havia sentido a química, onde os corpos não se suportam quando distantes… Quando dois corpos já não se veem longe um do outro, ceda e se enrosque. Deixe-se ebulir.

Já reescrevi, já redesenhei, refiz as pontas, refiz todos os inícios e todos chamam por você. Ainda não sei se é loucura, ou se apenas imaginação. Se for, já não sei o que é. Se for, já não sei como ir. Se for, já não sei como chegar. Todos os dias, espero chegar ao fim da folha e aplaudir os parágrafos ditados sem manchas, apenas com o sortilégio de dizer pela primeira vez: me apaixonei.

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